Birra dos 6 Anos – “Crise normal do Bebê-Criança”

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“Essa criança está mudada, não sei o que se meteu dentro dela!” essa é uma das famosas frases que mais ouço em consultório. Muitos autores renomados entre eles José Outeiral (psiquiatra), Jerusalinsky (psicanalista) entre outros falaram das crise normal da adolescência. A literatura está farta em falar da crise da adolescência, mas e a crise dos 6 anos, em que a criança deixa de ser o bebê e passa a ser apenas “criança”.

Nessa fase nos deparamos com crianças que antes eram extremamente egocêntricas frutos das fases vivenciadas como dar-se conta de si (estádio do espelho), ela percebe que não é extensão da mãe e sim um ser independente desta e que passa então a achar que é o “centro” do Universo. Pode ser do Universo literalmente falando, mas de seu Universo particular, sua casa, sua família e seu meio. Depois vêm as fases seguintes como: apego a um dos genitores (Complexo de Édipo), querer brincar com outras crianças, mas do que ela quer e gosta, não aceita ceder, quer ser prontamente atendida em todos os seus desejos e anseios.

      “Até os 5 anos era uma criança organizada, de bem consigo mesmo e com o mundo. Agora está violenta, agressiva, explosiva e cheia de exigências.” Outra queixa frequente que ouço dos pais em consultório.

O que se percebe é que estamos diante da “Crise normal do Bebê – Criança”, deixa de ser bebê e passa a ser criança, quer os direitos de criança e os deveres de bebê. Ocorrem gradativamente algumas mudanças, mas imperceptíveis até então. Como oscilações de humor e decisões, chora e facilmente vem o riso e vice versa, gosta da mãe e do amigo e em seguida afirma não gostar e lhe agride.

A criança passa a vivenciar uma crise, pois agora nem tudo o que quer fazer ou que façam é prontamente atendida. E, pior, agora ela tem que a aprender a CEDER! Algo que não aceita de jeito nenhum. Sendo antes o centro do Universo como que agora vai ser apenas mais um no Universo?

Aos 6 anos a criança apresenta caráter atrevido, grosseiro, provocador no sentido de agir por conta própria. Ganha mais confiança em si mesma. Impõe-se com arrogância e discute. É preciso dar-lhe alternativas, pode recorrer à conversa, combinados e caso isso falhe, impor-lhe o castigo. É preciso por o limite claro e objetivo. A fim de desencorajar as atitudes irresponsáveis, mas é preciso reconhecer também que esses impulsos são experiências novas para ela, que precisa de orientação, acolhimento e direcionamento adequado. Afinal ela está caminhando para a fase de latência (aquisição do conhecimento, intelectualidade), na qual vai desejar e muito o reconhecimento do adulto!

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